Ozempic Genérico no Brasil: O Que Muda Com o Fim da Patente em 2026
A patente da semaglutida — o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy — expirou no Brasil em 20 de março de 2026. Na prática, isso significa que outros laboratórios além da Novo Nordisk agora podem produzir e vender medicamentos com a mesma molécula, a preços potencialmente muito menores. Para quem usa ou pretende usar a caneta emagrecedora, essa é a mudança mais importante dos últimos anos no mercado de saúde brasileiro.
Neste artigo, explicamos o que a queda da patente significa na prática, quando os genéricos chegam, quanto devem custar, e o que você precisa saber antes de trocar ou começar um tratamento.
O que é a patente e por que ela importa
Uma patente farmacêutica funciona como um período de exclusividade: durante 20 anos a partir do depósito, só o laboratório que desenvolveu a molécula pode fabricá-la e vendê-la. A semaglutida teve sua patente depositada pela Novo Nordisk em 2006, concedida pelo INPI em 2019, e expirou em março de 2026.
Durante todo esse período, o Ozempic não tinha concorrente direto no Brasil. O resultado foi um preço que variava entre R$ 929 e R$ 1.308 por mês, inacessível para a maioria da população. Com a queda da patente, outros laboratórios podem entrar no mercado — e a competição tende a derrubar os preços.
Quais laboratórios estão preparados
Vários laboratórios brasileiros e internacionais já se movimentaram. Os mais avançados no processo regulatório junto à Anvisa são a EMS, a Ávita Care (que herdou o processo regulatório da Eurofarma) e a Megalabs. A Biomm, em parceria com a indiana Biocon, também planeja comercializar uma versão similar. A Prati-Donaduzzi anunciou que está desenvolvendo seu genérico importando matéria-prima da Ásia e dispositivos de aplicação da Europa.
A expectativa do mercado é que os primeiros registros sejam aprovados pela Anvisa até maio de 2026. A EMS, por exemplo, planeja produzir cerca de 1 milhão de canetas entre julho e dezembro de 2026.
Quanto vai custar o genérico
A legislação brasileira determina que um genérico deve ser pelo menos 35% mais barato que o medicamento de referência. Na prática, segundo a PróGenéricos, a redução costuma chegar a 60% no mercado brasileiro. A EMS já sinalizou preços entre R$ 500 e R$ 600 por caneta — quase metade do valor atual do Ozempic. Analistas do BTG Pactual estimam uma queda de 50% a 60% nos preços dentro de dois anos após a entrada dos genéricos.
Isso significa que um tratamento que hoje custa mais de R$ 1.000 por mês pode cair para algo entre R$ 400 e R$ 600 — ainda não é barato, mas coloca o medicamento ao alcance de um público muito maior.
O genérico é seguro? Funciona igual?
Sim. Um genérico aprovado pela Anvisa contém exatamente a mesma molécula do medicamento original — no caso, a semaglutida. O que pode variar são os excipientes (substâncias inativas) e o design da caneta aplicadora, mas o princípio ativo que faz o efeito é idêntico. Para ser registrado, o laboratório precisa comprovar bioequivalência, ou seja, demonstrar que o medicamento genérico age no corpo da mesma forma que o original.
O que muda para quem já usa a caneta
Se você já faz tratamento com Ozempic ou Wegovy, a chegada dos genéricos é uma boa notícia. Você terá opções mais baratas com o mesmo princípio ativo. No entanto, qualquer troca de medicamento deve ser feita com orientação do seu médico — mesmo que a molécula seja a mesma, a transição precisa ser acompanhada.
Para quem estava esperando o preço cair para começar o tratamento, o segundo semestre de 2026 será o momento mais provável de encontrar opções acessíveis nas farmácias.
E o SUS?
A possível incorporação da semaglutida ao SUS é um tema em discussão. Em 2025, uma análise para inclusão do Ozempic na saúde pública foi negada devido ao impacto orçamentário estimado em mais de R$ 8 bilhões anuais. Com a queda dos preços via genéricos, o Ministério da Saúde já sinalizou que essa discussão pode ser reaberta. No entanto, não há previsão concreta de quando — ou se — isso vai acontecer.
O que mais você precisa saber
A caneta emagrecedora não é uma solução mágica. Com ou sem genérico, o medicamento só funciona de forma sustentável quando combinado com alimentação adequada, atividade física e acompanhamento profissional. A perda de peso rápida pode trazer efeitos colaterais como perda de massa muscular, flacidez, queda de cabelo e deficiências nutricionais — todos problemas que podem ser minimizados com informação e planejamento.
Nos próximos artigos, vamos abordar cada um desses temas em detalhe: como montar uma dieta hiperproteica, quais suplementos fazem sentido, como preservar massa muscular e como cuidar da pele durante o emagrecimento.
Quer um guia completo sobre como cuidar do corpo durante o uso da caneta?
Baixe gratuitamente o nosso ebook com tudo que você precisa saber sobre alimentação, suplementação, treino e cuidados estéticos para quem usa GLP-1.
⚠️ Este artigo tem caráter informativo e educacional. Não substitui a orientação de médicos, nutricionistas ou outros profissionais de saúde. Consulte sempre um profissional antes de iniciar ou modificar qualquer tratamento.
Fontes consultadas:
- CNN Brasil — “Brasil lidera buscas por Ozempic e Mounjaro”
- Brazil Journal — “STJ decide que patente do Ozempic vence em 2026”
- Times Brasil / CNBC — “Ozempic perde patente e inicia corrida de canetas genéricas”
- NeoFeed — “Patente do Ozempic chega ao fim e abre corrida bilionária”
- IstoÉ Dinheiro — “Ozempic genérico: queda de patente inicia corrida bilionária”
- Associação Paulista de Medicina (APM) — “Ozempic: quando vai cair a patente”